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Episódio 7 – ARENA 2.0? Da ditadura ao bolsonarismo


 

“Ditadura com farda ou com celular? O que muda e o que permanece?”

A ARENA foi oficialmente extinta em 1979, mas como vimos nos episódios anteriores, seu legado atravessou décadas por meio de partidos sucessores, famílias políticas e práticas conservadoras. Nos anos 2010, esse fio histórico se reencontrou com a ascensão de um fenômeno que radicalizou antigos padrões: o bolsonarismo. Mais que um partido, trata-se de uma espécie de “ARENA 2.0”, onde a lógica autoritária da ditadura militar ressurgiu com novas roupagens, tecnologias e atores sociais.

O bolsonarismo como herdeiro da lógica autoritária da ARENA

A ARENA funcionava como partido da ordem, legitimando o poder dos militares e defendendo moralidade, família e combate ao comunismo. O bolsonarismo recupera esses eixos discursivos, adaptados ao século XXI.

Nos discursos de Jair Bolsonaro, é recorrente a defesa da autoridade militarizada, o ataque a inimigos ideológicos e a exaltação de valores morais conservadores. Como lembra Marcos Napolitano (2014), a ditadura já havia associado “ordem” e “segurança” à repressão política. O bolsonarismo apenas atualizou esse repertório.

Militares, empresários e igrejas evangélicas conservadoras

Assim como a ARENA se sustentava em aliança com as Forças Armadas, empresários e setores conservadores da Igreja Católica, o bolsonarismo articulou uma rede semelhante, mas com novos protagonistas:

  • Militares em centenas de cargos de confiança.
  • Empresários do agronegócio, mercado financeiro e empreiteiras.
  • Igrejas evangélicas conservadoras, que se tornaram base de mobilização moral e política.

Jessé Souza (2017) aponta que essa combinação reforça a permanência da “elite do atraso”, elites que se adaptam ao tempo sem abrir mão de privilégios.

As redes sociais como novo aparato de controle

Se a ditadura usava censura e propaganda oficial, o bolsonarismo encontrou nas redes sociais seu principal instrumento.

As plataformas digitais disseminaram desinformação, criaram comunidades de apoio e produziram um ambiente de hostilidade contra opositores. Elliot Aronson (2012) mostra como a repetição constante de mensagens cria ambientes de conformidade. Essa lógica, potencializada pelos algoritmos, substituiu a censura pela manipulação da informação.

Reflexão

O bolsonarismo é a atualização de um projeto autoritário iniciado em 1964. Da ARENA herdou a ordem conservadora, o moralismo político e a proximidade com elites econômicas e militares. No século XXI, acrescentou o apoio das igrejas evangélicas e o poder das redes sociais.

👉 Ditadura com farda ou com celular? O que muda e o que permanece?

O que muda são as ferramentas. O que permanece é a lógica de exclusão, concentração de poder e naturalização da desigualdade.

 

👉 Próximo episódio:

Episódio 8 – O golpe de 2025 e a longa sombra da ARENA

📖 Continue acompanhando a série completa no blog Sintonia das Ideias.

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