Aprender a ser
Não estou destruindo nem reconstruindo o meu exercício
de ser humano. Apenas busco complementar, de forma consciente, a minha
construção de ser humano. Talvez eu tenha tomado essa consciência da minha
realidade em uma idade já bastante adiantada. Teria sido mais fácil se tivesse
adquirido essa lucidez aos vinte e poucos anos. Mas nunca é tarde para começar.
Sinto pelo tempo que se foi! Ao que parece, tudo é um processo de longo
aprendizado. Por isso, há muito tempo me considero um aprendiz.
Na minha vida, eu mesmo impus desafios e assumi
irresponsabilidades de maneira atabalhoada — tudo por pura ignorância.
Nesta nova fase, minha curiosidade se aguçou ainda
mais. A teimosia em descobrir as causas da formação de um mundo, ainda cheio de
perguntas sem respostas, traz medo, desconforto e insegurança. Entretanto,
quanto mais medo, desconforto e insegurança, mais a minha teimosia insiste em
descobrir; mais a consciência me grita dizendo que não estou pronto; e mais
fundo procuro mergulhar.
Descobri, nesse caminho, a obra de Paulo Freire
— educador, filósofo e um dos maiores pensadores da pedagogia mundial. Em seus
escritos sobre educação, liberdade e consciência crítica, encontro novas portas
que me convidam a refletir sobre minha própria caminhada e sobre o mundo ao meu
redor.
São tantos autores, tantos mestres a serem lidos e
revisitados!
E me pergunto: por onde andei todos estes anos?

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